Cultura & Eventos | 03/06/2015

Mais sobre Meio Intelectual, Meio de Esquerda

Dica de Leitura

Um sofá encalhado no mangue, uma coifa uruguaia, os trocadilhos infames nos nomes dos pet shops, o bairro de Perdizes, a barriga do Ronaldo, os mictórios cheios de gelo dos restaurantes, o salto mortal sem rede que o amor exige dos apaixonados, a casa de um morador de rua, um sorvete de cheesecake, o barulho insuportável das marretadas de um apartamento em reforma , eis alguns dos temas de Meio intelectual, Meio de esquerda, o novo livro de crônicas de Antonio Prata. Por eles se vislumbra a originalidade e a abrangência de seu olhar.

Publicados, em sua maioria, entre 2004 e 2010 em jornais e revistas, os quase oitenta textos aqui reunidos — divertidos, poéticos e repletos de insights lancinantes sobre a vida nas metrópoles , vêm comprovar o talento deste jovem escritor que, exercitando-se sobretudo no gênero da crônica, à maneira de Rubem Braga, se destaca na literatura brasileira de hoje.


Nas palavras do crítico Davi Arrigucci Jr., que assina o texto de orelha, 'Antonio Prata, com olhar incisivo e verve ferina, se revela não apenas um mestre lapidar de seu ofício, capaz de dizer tudo em dois dedos de prosa, sem perder a leveza, mas sobretudo um notável cronista do absurdo, das miudezas malucas do cotidiano'.

Há quem diga que não haja mais espaço ou momento favorável para a crônica. Após seu auge nos anos 1950 e 1960, esse gênero capaz de captar o lirismo com base em aparentes trivialidades não encontraria terreno fértil em meio ao turbilhão de notícias, gráficos e artigos que inundam os jornais. Os textos de Antonio Prata derrubam essa premissa. Com altas doses de humor, o jovem autor é capaz de extrair do cotidiano da megalópole paulistana momentos ora poéticos, ora sarcásticos. Publicados em sua maioria em jornais e revistas os textos reunidos neste livro não só comprovam a sobrevivência do gênero, como colocam Antonio Prata entre os melhores cronistas de sua geração.

Sempre que alguém vem até a Biblioteca pela primeira vez e não tem a menor ideia de por onde começar a ler ,eu costumo indicar livros de crônicas, pois além de falar do nosso cotidiano, sempre enfatiza relacionamentos, política, assuntos familiares, este tipo de gênero é mais fácil de ser “digerido”, até mesmo pelo tamanho das histórias que geralmente não passam de duas páginas, isso agrada a grande maioria dos leitores que por conta da correria do dia a dia tem maior preferência.